A Teoria de Tudo

Theory of Everything
Direção: James Marsh
Elenco: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Charlie Cox, Emily Watson e Maxine Peake
EUA, 2014


Retomando os reviews do Oscar 2015, vamos falar de A Teoria de Tudo, biografia do físico Stephen Hawking. Um filme que se escora nas atuações de seus protagonistas.  Eddie Redmayne interpreta a  um personagem bem-humorado e charmoso, até mesmo quando só é capaz de mover os olhos, mas não chega a ir muito além disso, ficando dependente mais da composição física do que psicológica. Já Felicity Jones dá vida a Jane, a sempre dedicada esposa do físico, inicialmente uma jovem alegre, de olhos brilhantes, vai ficando mais séria e fechada com o passar dos anos, com o cansaço inevitável de alguém que é responsável por uma pessoa com limitações físicas e ainda mais três crianças.


O roteiro do filme foi baseado no livro A Teoria de Tudo: A Extraordinária História de Jane e Stephen Hawking, escrito pela própria Jane, sendo assim, é até compreensível que seja centrado no relacionamento dos dois, não nas teorias do físico, que surgem no longa de maneira superficial e, por vezes, um tanto didática. Entretanto, o maior problema do filme nem está nesse aspecto. A Teoria de Tudo, assim como a outra biografia que concorre ao Oscar de Melhor Filme, O Jogo da Imitação, é conservador e previsível em todos os aspectos: a música grandiloquente que parece dizer ao espectador “está na hora de se emocionar”, a fotografia azulada em cenas tristes e as cores vibrantes nas cenas felizes da família são alguns exemplos desse lugar-comum que o filme se acomoda.


Outro aspecto que incomoda é falta de interesse da cinebiografia em abordar ângulos diferentes dos personagens, mostrando algum conflito ou dualidade. Ok, acredito que Hawking seja uma pessoa positiva, afinal, só alguém assim, que ama viver, poderia continuar lutando, depois de receber a noticia de que teria apenas dois anos de vida e esses dois anos seriam cruéis. O problema é que, na necessidade de mostrá-lo sempre otimista, o filme entrega apenas alguns lampejos da frustração que o físico teria sentindo com suas limitações, que passam rapidamente, sem qualquer aprofundamento. Ou seja, o filme peca em não mostrar mais do homem  Hawking, com duvidas, anseios, medos e etc.


Ainda falando do medo do filme em relação aos conflitos, os relacionamentos extraconjugais também são tocados de maneira rasa. Como quando Jane finalmente cede ao romance com seu amigo Jonathan  (Charlie Cox) e, ao mesmo tempo, Hawking passa mal e fica em coma. Assim, Jane precisa correr até o Hospital e decidir se ele deve continuar vivendo. Pronto. Fim o interlúdio romântico. Mais tarde, é Hawking quem se envolve com a enfermeira Elaine (Maxine Peake), com quem se casaria mais tarde, e é quase como se estivesse libertando Jane. Dessa forma, ela pode  correr para Jonathan e retomar o relacionamento de onde parou. Simples, assim.

Em resumo, a competência do elenco não tem como suplantar a narrativa burocrática e a unidimensionalidade dos personagens. 

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Dri Tinoco

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