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Cultura Pop A Rigor na Colab55

Review: Depois a Louca Sou Eu

Depois a Louca Sou Eu

Direção: Julia Rezende
Elenco: Débora Falabella, Débora Lamm, Yara de Novaes, Gustavo Vaz, Evandro Mesquita, Elizângela.
Brasil, 2019


Mais uma comédia brasileira protagonizada por uma mulher com a palavra louca (às vezes, é doida) no titulo? Sim, mas pelo menos aqui até tem alguma razão de ser, fora apenas outro titulo pretensamente cômico. Baseado no livro homônimo (que eu não li), escrito por Tati Bernardi, o filme conta a história de Dani (Débora Falabella), uma mulher que convive com graves crises de ansiedade desde a infância. Adulta, ela procura por terapias e recorre a medicações para encarar os desafios tanto da vida profissional quanto da pessoal.

Ansiedade é um assunto sério e, assim como a depressão, nem sempre é tratado como tal. Dito isso, o inicio do filme me preocupou. Não porque eu ache que deve ser proibido fazer piadinhas com doenças, mas porque elas não funcionavam muito bem e eu tive a rápida sensação que ia ser difícil terminar de assistir a produção (em uma cabine digital, realizada na segunda-feira). Para ir pelo viés do humor ao tratar dessas questões é preciso muito talento. Cenas patéticas como as das benzedeiras deve funcionar com alguns, provavelmente, mas não foi o meu caso.


O problema dessas comédias brasileiras mais comerciais é que elas parecem influenciadas pela linguagem televisiva global. Me lembram aqueles quadros de humor rápido que tinham no Fantástico (e isso denota o quanto a coisa é antiquada, uma vez que não assisto o jornalístico dominical faz anos). Apela-se ainda para aquela linguagem pop também já bastante envelhecida, utilizando letreiros e animações (é isso desde Dois Coelhos se bem me lembro) para parecer moderninho. E ainda aparece o Evandro Mesquita.

O que ajuda o longa é mesmo a interpretação de Débora Falabella. Ótima, ela conseguiu fazer com que me importasse com a personagem. Se não fosse Débora, talvez Dani não conseguisse parecer tão humana e tivesse virado apenas aquela típica personagem insuportável de tantas comédias. Fiquei pensando do que ela seria capaz de fazer em um filme mais sério, que não tivesse a obrigação de tentar fazer a plateia rir a cada minuto. O restante do elenco está no piloto automático mesmo, da mãe ao namorado passando pelas participações especiais.


Um outro mérito do filme é não fazer apologia a utilização de medicamentos tarja preta quando a personagem começa a recorrer a Rivotril e afins. E o final que não se resolve magicamente. É possível detectar em várias cenas um esforço da direção em escapar do riso pelo riso e oferecer algo mais, sensibilizar com o drama da personagem, mas o formato da comédia brasileira, essa que compete com Vingadores e afins na bilheteria, está engessado por demais.

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Autor: MARC TINOCO

Cinema, música, tokusatsu e assuntos aleatórios não necessariamente nessa ordem. 

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