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Cultura Pop A Rigor na Colab55

Review: Kairo/Pulse (2001)

 Kairo/Pulse

Direção: Kiyoshi Kurosawa
Elenco: Haruhijo Katô, Kumiko Aso, Koyuki, Kurume Arisaka, Tasatoshi Matsuo e Kenji Mizuhashi
Japão, 2001


Mais do que qualquer outro gênero, acredito que o Horror quase sempre torna-se uma reflexão sobre a época em que é realizado. Conforme a tecnologia foi se inserindo em nossas vidas, muitos filmes passaram a encontrar nela novas formas de aterrorizar ou de repaginar medos antigos. Em Kairo, duas histórias envolvendo fantasmas e a internet ocorrem em paralelo.

Na primeira história, Michi (Kumiko Aso) trabalha numa floricultura de Tóquio, juntamente com Toshio (Tasatoshi Matsuo) e Junko (Kurume Arisaka). A vida dos amigos sofre uma reviravolta quando Michi decide procurar por Taguchi (Kenji Mizuhashi), que também trabalhava na mesma floricultura, mas não apareceu mais no emprego.


No apartamento do colega, a jovem descobre que Taguchi havia se matado. Assim, Michi também acaba descobrindo que o amigo investigava algo em seu computador, algo que acabou o envolvendo e de alguma forma causando sua morte.

Já na segunda narrativa, os problemas de Ryosuke (Haruhijo Katô) começam quando ele resolve instalar seu provedor de internet. O seu computador passa a acessar sozinho ao baidu a um site com assustadoras imagens de pessoas em quartos escuros. Sendo assim, O estudante busca a ajuda de Harue (Koyuki), que trabalha no laboratório de informática da faculdade. 

Hoje o conceito de internet como portal para contactar fantasmas pode soar datado, já que a web não é algo mais tão misterioso assim, mas a narrativa acaba indo muito além do “medo da internet” e se transformando em um drama cheio de metáforas e questionamentos existencialistas, além de abordar um tema delicado e bastante atual: o alto índice de suicídio entre jovens.  


Sem violência gráfica ou jumpscare, Kairo é praticamente um ensaio sobre a solidão e a deterioração das relações humanas diante das inovações tecnológicas. Ao mesmo tempo, meio que reflete algo inerente a nossa existência, que independe da tecnologia: como pessoas e amizades vão simplesmente desaparecendo de nossas vidas, muitas vezes sem nenhum alarde, quase sem nos dar conta. 

O filme não se escora em cenas violentas,  ainda assim o cineasta Kiyoshi Kurosawa, junto com o diretor de fotografia Junichiro Hayashi conseguem criar uma série de imagem que dificilmente não ficarão registradas na memória. A iluminação sombria é importantíssima para criar a atmosfera de suspense e desolamento, assim como o ritmo lento, que acaba gerando inquietação no espectador. Inquietação que não termina com o filme, já que este oferece muito mais perguntas do que respostas.


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Autora: DRI TINOCO

Apaixonada por música, cinema e gatinhos. 

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