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Baú do Som: Black Sabbath

Se aproximam as datas dos shows do Black Sabbath aqui no Brasil, dia 9 de outubro em Porto Alegre no estacionamento da Fiergs , dia 11 em São Paulo no Campo de Marte, no dia 13 no Rio de Janeiro na Apoteosee na Esplanada do Mineirão, em Belo Horizonte, no dia 15 de outubro. Todos com abertura do Megadeth. Para aquecer as turbinas, preparei um Baú do Som especial com um pouco da história do Sabbath e as melhores musicas, na minha opinião, boa parte delas estará nos shows por aqui.



Primórdios

 O Black Sabbath foi formado em 1968 em Aston, na cidade de Birmingham, Reino Unido. A formação clássica era Ozzy Osbourne nos vocais, Tony Iommi na guitarra, Geezer Butler no baixo e Bill Ward na batera, mas Iommi foi o único realmente fixo, houve diversas formações. Classificados por alguns como Hard Rock, Sabbath é uma das bandas pioneiras no Heavy Metal junto com Led Zeppelin e Deep Purple, Butler certa vez descreveu o som da banda como “um blues pesado e distorcido”.

Birmingham era, nos anos 60, um pólo da indústria metalúrgica na Inglaterra, lugar com características típicas de onde saíram maior parte do Heavy Metal inglês. Lá era um cenário onde as pessoas não tinham muitas opções, além de serem operários; surgiam muitas gangues de jovens que extravasavam sua revolta contra suas condições de existência em brigas, bebedeiras e fanatismo por futebol, como os Hooligans. É nesse ambiente que o Anthony “Tony” Iommi e o baterista William “Bill” Ward (que eram do grupo Mithology), em uma loja, viram o anúncio de um cantor que estava procurando músicos para montar uma banda. O cantor era John “Ozzy” Osbourne que estudou na mesma escola que Iommi. Assim começou. Ozzy levou ao grupo outros dois músicos que haviam participado com ele da banda Rare Breed, eram os guitarristas Terence “Geezer” Butler e Jimmy Phillips.

Passando um tempo, Butler se torna o baixista da banda e contratam o saxofonista Alan “Aker” Clarke. O primeiro nome da banda foi Polka Tulk Blues Band, que depois apenas Polka Tulk, tocando um repertório de blues. Clarke e Phillips saem do grupo e os outros mudam o nome para Earth, já fazendo várias apresentações e gravando uma demo em 1968. No entanto, foi preciso mudar o nome de novo, pois já havia outra banda Earth. Butler, fã de histórias de terror, se lembrou do filme do diretor italiano  Mario Bava, “I Tre Volti Della Paura” (As Três Máscaras do Terror) de 1963, exibido na Inglaterra e E.U.A. com o título de Black Sabbath e, assim,  escreveu uma canção com esse nome,  que virou também o nome da banda.

 A partir daí a sonoridade do blues que faziam muda, acrescentando folk e ficando cada vez mais pesado, o que fará com que sejam apontados como pioneiros do Heavy Metal. 

 Black Sabbath, 1970

O primeiro contrato foi com a Fontana Records e, depois, com a Vertigo. Em 1970, lançam o álbum de estreia homônimo. Foi um sucesso, oitavo lugar nas classificações inglesas, trazendo além de “Black Sabbath", músicas como “The Wizard” e “N.I.B.”. A originalidade daquele som pesado e distorcido gerou muitos elogios dos especializados em Rock, era algo inédito, além das letras que abordavam temas obscuros, como o ocultismo, gerando polêmica com os puritanos que vão acusá-los de satanistas. Sabbath influenciou centenas de bandas depois com esses temas.



 Paranoid, 1970

Logo depois vem Paranoid, o maior sucesso comercial, um marco para o heavy metal. Trazia hits como “Paranoid“, “Iron Man“, “War Pigs” e “Electric Funeral“. A partir daí Sabbath já tinha milhares de fãs no mundo; as temáticas eram não só ocultismo, mas outros como a guerra do vietnã. “War Pigs”, é uma puta crítica a políticos e a guerra, já “Iron Man” é pura ficção cientifica. 





 Master Of Reality, 1971

Um ano depois sai o terceiro álbum, Master of Reality, considerado o mais introspectivo da banda. Há canções no estilo consagrado do Sabbath como “Children of the Grave” e “After Forever", que foi considerada blasfêmia, e há musicas em que apresentam novas facetas, como “Sweet Leaf”, “Lord of This World“, “Into the Void” e “Solitude".




Volume 4, 1972

 Black Sabbath Vol. 4, de 1972, de cara revela uma influência do rock progressivo, muito forte na década, trazendo novas sonoridades. Destaque para a balada “Changes", com piano e cordas. Músicas como “Tomorrow’s Dream", “Supernaut” e “Snowblind” também fizeram sucesso.

Sabbath Bloody Sabbath, 1973

 Em 1973 lançam Sabbath Bloody Sabbath, em que se percebe ainda mais a influência do rock progressivo em musicas como “Spiral Architect” e “A National Acrobat“, o álbum até traz Rick Wakeman do Yes nos teclados, mas ao mesmo tempo mantendo as raízes em “Killing Yourself to Live” e “Sabbath Bloody Sabbath“. O álbum também fez grande sucesso, mas vale destacar que nessa época alguns fatos já podiam apontar o declínio da banda, como os problemas envolvendo dependência de drogas dos membros e a mudança de gravadora, da Vertigo para a Warner, que atrasou o lançamento do próximo álbum.

 Sabotage, 1975

Sabotage, lançado em 1975, alterna o heavy metal de “Hole in the Sky” e “Symptom of the Universe", com canto gregoriano em “Supertzar“, e pop rock em “Am I Going Insane (Radio)”.


 Technical Ecstasy, 1976

Technical Ecstasy de 1976, causou intensos debates entre fãs pois traria um som menos pesado fazendo uso de maestro e sintetizadores, assim tem os que não gostam porque não traria o Sabbath moleque de várzea, aquele de raiz, e há quem goste porque acham inovador. Na minha opinião o clássico sempre vai ser o melhor, mas é Black Sabbath, a qualidade conhecida dos músicos está ali, portanto não poderia ser ruim. Confiram algumas das canções: “Dirty Women”, que eles ainda executam em shows e “It’s Alright” que o Gun’s N’ Roses regravou:

Never Say Die!, 1978

Em 1977, terminada a turnê de Technical Ecstasy, Osbourne sai do grupo, devido a questões pessoais, como a morte do seu pai e a dependência de álcool e drogas, como o LSD que, segundo ele, chegou a consumir todos os dias. O grupo tentou emplacar por alguns meses com Dave Walker (Fleetwood Mac) nos vocais, mas  logo depois Ozzy regressa e grava em 1978, o álbum Never Say Die!, que continua a receita do anterior, com sintetizadores e sons experimentais. Don Airey é responsável pelos teclados. A resposta do público não foi das melhores, músicas como “Junior’s Eyes” e “Hard Road“, são consideradas bem fracas, a canção que dá nome ao disco é a que mais lembra o Sabbath de antes. Realmente, ao ouvir o álbum, se percebe os sinais de esgotamento. Em 1979, os conflitos pessoais continuam e o Madman é despedido; ele continuava abusando das drogas.

A partir daí você sabe, Ozzy vai levar um tempo para se recuperar das drogas e segue com sua carreira solo, que também tem altos e baixos, embora ele se torne, sem dúvida, um dos roqueiros mais bem sucedidos.

O Black Sabbath segue com vários vocalistas, são fases em que, apesar de não se firmarem com um só por mais de três anos, eles conservaram muitos fãs, que divergem muitas vezes em qual dessas fases posteriores foi a melhor ou a pior, Ronnie James Dio (1980-1982), Ian Gillan (1983-1984) e Tony Martin (1987-1990), só para citar os que ficaram mais tempo. E ainda ocorreram várias reuniões, inclusive com voltas de Ozzy.

 Ronnie James Dio (1980 - 1982)



 Dio que havia sido das bandas Elf e Rainbow quando assume a responsabilidade de substituir Ozzy. O primeiro disco com Dio foi Heaven and Hell, que é muito bom e fez um grande sucesso, como já não faziam há alguns anos. Nesse álbum Geoff Nicholls assumiu os teclados. Os maiores destaques foram musicas como “Neon Knights", "Die Young” e a musica título.

   

 Na turnê o batera Bill Ward teve de sair por problemas pessoais, sendo substituído por Vinny Appice. 

Um ano depois veio Mob Rules, também um sucesso, confirmando o novo estilo do Sabbath. A faixa-título entrou para a trilha sonora do filme Heavy Metal. Infelizmente logo depois, desentendimentos com Tony Iommi fizeram Dio abandonar o barco.

Uma curiosidade: durante a turnê de “Heaven…” Dio fez o gesto de “chifres”, famoso entre os fãs de metal, muitos diziam que ele foi o primeiro a fazer, porém Gene Simmons do Kiss dizia ter sido ele e outros afirmavam que foi John Lennon; o próprio Dio disse que aprendeu isso anos antes com sua avó, era para evitar mal olhado. 

Ian Gillan (1983 - 1984)



Bill Ward retorna e eles tentam com vários vocalistas: Nicky Moore, do Sanson, John Sloman, da Lone Star; Iommi queria David Coverdale do Whitesnake, mas ele recusou. Enfim, entra Ian Gillan (Deep Purple) que, conta-se, teria aceitado se tornar o vocalista em estado de embriaguez e não se lembrava de nada. Assim lançam Born Again em 1983, fazendo muito sucesso e polêmica: a canção “Trashed” foi criticada por supostamente incitar o abuso do álcool. 

O “Black Purple", nome dado a fusão de Black Sabbath e Deep Purple, sai em turnê. Ward deixa mais uma vez a banda e é substituído por Bev Bevan (ex-Electric Light Orchestra). No final, Gillan volta ao Purple. Mais uma vez atrás de um vocalista, tentam Ron Keel (ex-Steeler e Keel), George Criston da banda canadense Kick Axe, David Donato,  que fica apenas seis meses, depois vem Glenn Hughes e Ray Gillen.  

Tony Martin (1987 - 1990)



Para o álbum The Eternal Idol, entra Tony Martin. O álbum relembra os trabalhos do passado, mas mantendo os teclados. Mesmo sendo bom, o álbum não teve o sucesso que queriam. Muita gente acha Martin o vocalista mais fraco que passou pelo Sabbath, mas ele não era ruim, só que os que passaram antes eram muito bons. Após esse álbum, o entra e sai de músicos continua ,chegando a ter apenas Iommi como membro original. Assim lançam Headless Cross (1989), que se sai melhor que Seventh Star e The Eternal Idol. Logo após, nasce Tyr, de 1990.     


Depois vem as chamadas reuniões. Em 1992, Tony Iommi convoca a formação do começo dos anos 1980, com Geezer Butler, Ronnie James Dio e Vinny Appice, lançando Dehumanizer. Mas, as divergências continuavam e, no meio da tunê, Dio sai e Iommi chama Rob Halford do Judas Priest. Logo depois chamam novamente Tony Martin e Geoff Nicholls e, com o novo baterista, Bobby Rondinelli, lançam o Cross Purposes que vem com o clássico Cross Of Thorns, e mais tarde Forbidden, que não recebeu boas criticas. O rapper Ice-T cantou com Martin, a canção “Illusion of Power".

Em 1998, Reunion, traz canções de Osbourne em versões ao vivo, e duas novas canções de estúdio: “Psycho Man” e “Selling my soul”. Chegamos a achar que viria um álbum de inéditas, mas não ocorreu.

 

 Assim, houve outras idas e vindas com Dio e Ozzy, mas ocorreu o falecimento de Dio; mais ou menos desde 2011 se falava em um novo trabalho com o Madman, mas houve o câncer de Iommi e outras questões que tornaram isso possível somente agora, com 13 e a turnê que vamos conferir aqui.

Bom, nem preciso falar da importância do Black Sabbath e seu legado para a musica, principalmente para o metal. Vejo vocês domingo, que é a primeira vez que o Ozzy e o Sabbath tocam aqui juntos (já vieram separados). Até lá!

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Autor: DRÉ TINOCO

Professor de Geografia, cinéfilo nas horas vagas 

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