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Cultura Pop A Rigor na Colab55

Review - Não Olhe Para Cima

Não Olhe Para Cima

Don’t Look Up 
Direção: Adam McKay 
Elenco: Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Rob Morgan, Jonah Hill, Mark Rylance, Tyler Perry, Timothée Chalamet, Ron Perlman, Ariana Grande, Scott Mescudi, Cate Blanchett e Meryl Streep
EUA, 2021



Novo filme do diretor Adam Mckay, lançado na Netflix no final do ano passado, "Don't Look Up", que concorre ao Oscar nas categorias filme, roteiro original, trilha sonora e edição é uma comédia que satiriza o negacionismo de governos e população contra a ciência. Algo que vemos muito nos EUA, Brasil e tantos outros países com relação a temas como as mudanças climáticas e a pandemia do Covid-19, o filme obviamente funciona como alegoria para esses fatos. No caso o aquecimento global é o tema que se esconde na metáfora do cometa, mas é impossível não associar ao Coronavírus.  



A trama conta a história de dois cientistas (Lawrence e DiCaprio) que descobrem que em alguns meses um cometa, “o destruidor de planetas”, acabará com a Terra. Nesse momento, começa a saga deles para alertar a humanidade, indo até as autoridades governamentais, imprensa, etc. Porém, são ignorados e humilhados e enquanto tentam fazer alguma coisa para despertar a população, o governo e o empresário Peter Isherwell (Rylance) pensam em como lucrar com o cometa e toda a situação, numa crítica ao capitalismo liberal, que Mckay já fez em outros filmes. 

O filme causou grande movimentação na internet pela semelhança com a realidade, seja com os EUA de Trump ou com o Brasil atual de Bilorilo e Carluxo, impossível não associar com a presidente e seu filho (Streep e Hill). O que é surpreendente, pero no mucho, é que várias pessoas consideraram o filme “uma crítica sutil, que muitos não iam entender”. 


Esse filme é tudo, menos sutil. As situações tragicômicas, que seriam totalmente absurdas, mas que em 2022 soam totalmente plausíveis de acontecer saltam aos olhos sem pudor e sem ironia. Tudo em interpretações propositadamente caricatas. Uma questão que fica é que como vivemos tempos de desatinos, é possível até se esquecer que o filme é uma sátira, tornando difícil rir de alguma coisa nas quase duas horas e meia de filme.
 

Vi por aí pessoas que apoiam a extrema direita, inclusive no negacionismo, que gostaram do filme, alguns colocando que o perigo que a sociedade não quer ver são as vacinas ou a conspiração globalista. Então o filme não serviu para “despertá-los”. Tiram essas conclusões não pelo filme ser muito inteligente para eles, mas porque quem tem uma leitura deturpada da realidade vai sempre querer encaixar o que ver nessa leitura 
 

No mais Mckay usa dos recursos consolidados desde que começou a fazer “comédias sérias” com “A grande aposta” (2015): edição ágil, diálogos “espertinhos” e um didatismo que incomoda, ainda mais com a duração do filme.



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DRÉ TINOCO

Professor de Geografia, cinéfilo nas horas vagas 

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