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Review – No

No

Elenco: Gael García Bernal, Alfredo Castro, Luis Gnecco, Néstor Cantillana, Antonia Zegers.
Direção:  Pablo Larraín
Chile / EUA / França / México, 2012

 


Conferi mês passado o filme chileno No, indicado ao Oscar de filme estrangeiro desse ano, mas só agora pude escrever uma resenha. No é o primeiro filme chileno indicado ao Oscar e aborda a campanha publicitária do plebiscito que, em 1988, foi determinante para acabar com a ditadura de Augusto Pinochet no Chile, aliás, há um mês atrás foi aniversário de quarenta anos do golpe do general Pinochet, que  depôs o presidente eleito Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973 e iniciou uma das ditaduras mais sangrentas da América do Sul e do mundo. 

No filme, Gael García Bernal interpreta  René Saavedra, publicitário de uma importante empresa chilena que é contratado para organizar a campanha publicitária do “No", ou seja, não, que se ganhasse maioria dos votos da população chilena, colocaria fim na ditadura do Pinochet, que já durava 15 anos e abriria espaço para eleições. 



René entra em choque com seu mentor Lucho Guzmán (Alfredo Castro) que vai trabalhar na campanha do "Sí" (sim). René não é exatamente politizado, mas parece aceitar criar a campanha do "não" devido a história do seu pai, que era de fato um ativista e foi preso pela ditadura. Ao mesmo tempo que trabalha na campanha, pondo em risco sua carreira e talvez a própria vida, caso o "sim" ganhasse, ele cuida do filho e tenta se reaproximar da  ex-esposa Verónica (Antonia Zegers, famosa atriz no Chile, casada com o diretor Larraín), ativista, que como muitos acha a campanha uma farsa que vai legitimar Pinochet no poder.

O interessante do filme é que ele dá um panorama de como as campanhas políticas são criadas, o que pode ser estendido também para as campanhas eleitorais. A esquerda chilena e de outras partes do mundo não gostaram desse filme, pois o diretor Pablo Larraín é filho de militantes da direita (o pai foi senador da UDI - Unión Demócrata Independiente, partido da direita chilena fundado em 1983), o filme não aborda todos os aspectos da luta da esquerda contra a ditadura e Saavedra não é um personagem que toma posição. Porém, como Larraín falou em entrevistas, ele não tem boa relação com a família  porque escolheu abordar esses temas no cinema e, de fato, mesmo No não sendo tão de “esquerda”, é necessário coragem para falar disso, vindo de uma família tradicional de direita.

 Realmente, No não aborda outros processos de luta contra o Pinochet, dos movimentos, sindicatos, etc. Mas, creio que se focar no desenrolar das situações para construção do plebiscito que ocorreu por pressão internacional, ajuda a entender como a ditadura acabou, não foi com uma revolução, mas sim porque o momento era outro, diferente de 73; lembra um pouco o fim da ditadura aqui no Brasil (é lógico que com muitas diferenças nos processos históricos). Pinochet foi colocado na presidência do Chile em um golpe orquestrado pelos Estados Unidos de Richard Nixon e apoiado pela Inglaterra, seu governo foi a primeira experiência do Neoliberalismo no mundo; já em 1988, tal qual no Brasil, as forças que apoiaram o golpe já tinham outros processos em mente para a América Latina. Assim a ditadura acaba meio que como um acordo, ela termina, mas as elites dominantes continuam as mesmas, mesmo que alguns partidos de esquerda entrem em ascensão, mas isso é outra história.



A campanha mostra bem as artimanhas que quem trabalha com publicidade utiliza, é um conflito entre os dois lados para conquistar o publico, não é uma luta de militantes. No lado do "não" aparecem depoimentos reais de Jane Fonda, Christopher Reeve e Richard Dreyfuss, que como artistas engajados, apoiaram a derrubada da ditadura chilena. Nas propagandas se ver muitos loiros, que não é a população dominante no Chile, portanto é aquilo que vemos em campanhas direto por aí. A única vez que se ver mais uma coisa de luta e ativismo é nas cenas com Verónica, mas que acaba sendo quase um estereótipo: ela é uma mulher que luta e dá pouca atenção ao filho. Mas, enfim, No é um bom filme, que mostra um aspecto da derrubada da ditadura chilena, mas não é um filme de ativismo de esquerda. O filme perdeu a estatueta do Oscar para australiano Amor, imbatível.

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Autor: DRÉ TINOCO

Professor de Geografia, cinéfilo nas horas vagas 

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