O Abutre

Nightcrawler
Direção: Dan Gilroy
Elenco: Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Bill Paxton e Riz Ahmed
EUA, 2014



Essa é a ultima resenha do Oscar 2015 que faço. Na verdade, O Abutre é um dos filmes mais injustamente ignorados pela academia nesse ano. Entretanto, mesmo concorrendo apenas na categoria de Melhor Roteiro Original, vale a pena comentar este filme, realizado por três irmãos: Dan,  (roteirista de filmes como Gigantes de Aço O Legado Bourne), que dirige seu primeiro filme, Tony, o mais conhecido deles (diretor e roteirista de Conduta de Risco) e, por fim, John Gilroy, responsável pela montagem do filme.



O Abutre acompanha Lou Bloom (Jake Gyllenhaal), um rapaz solitário, que se mantêm roubando e vendendo fios de cobre e tampos de boeiro, à noite. Em uma dessas noites, Lou topa com um cinegrafista (Bill Paxton) que registra um acidente de carro, com o intuito de vender as imagens para telejornais. Assim, Lou enxerga uma nova oportunidade de carreira, que acaba revelando-se sua vocação.



Em performance irretocável de Gyllenhaal, Lou é um verdadeiro sociopata. Ávido estudante, ele lê e decora textos sobre os mais variados temas, principalmente os ligados à  gestão de negócios, sendo um interlocutor desenvolto; entretanto isso não o torna sociável, pelo contrário, Lou incomoda as pessoas. Magro demais (Gyllenhaal emagreceu 14 quilos para o filme), com um rosto cadavérico, cuja estranheza é ressaltada pelas enormes olheiras, os olhos sempre arregalados (o ator também afirma que evitava piscar, para deixar o personagem com uma aparência mais insana) e um sorriso pouco acolhedor. Não que Lou pareça preocupado em se relacionar com outros seres humanos. Seu único objetivo é tornar-se um profissional bem-sucedido e reconhecido. Não importam os meios.

Dessa forma, Lou conhece a produtora de televisão Nina Romina (Rene Russo) e passa a caçar imagens para o telejornal produzido por ela: acidentes rodoviários, tiroteios… qualquer coisa que seja sangrenta e possa aumentar a audiência. Lou é perfeito para esse tipo de serviço simplesmente porque não tem traço algum de escrúpulos. Amoral e dissimulado, ele burla bloqueios policiais, invade cenas de crimes e a privacidade de vítimas e parentes destas, tudo o que for necessário para conseguir uma boa filmagem.




Nina também não é muito diferente de Lou. O charme e a polidez, apenas ocultam a mesma falta de escrúpulos. Ela pode não “sujar as mãos”, mas também só está interessada nos números da audiência que manterão seu cargo, números conseguidos através do trabalho nada ético de Lou. Até mesmo quando este lhe propõe sexo em troca de trabalhar exclusivamente para ela, Nina se mostra indignada, mas, ao mesmo tempo, admirada. Admiração que cresce na mesma proporção que a frieza de Lou, este incapaz de demonstrar qualquer sentimento de alteridade.

Tenso do inicio ao fim e pontuado por sarcasmo, O Abutre nos entrega uma tremenda crítica a mídia sensacionalista, que não está preocupada em apurar coisa nenhuma, apenas em contar histórias escabrosas e manter seu publico na frente da televisão.


Ao publico brasileiro, ainda pode vir a mente: será que quando o Datena pede IBÁGENS, seus repórteres fazem como Lou?


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Dri Tinoco

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