Sin City – A Dama Fatal

Sin City: A Dame to Kill For
Direção: Robert Rodeiguez e Frank Miller
Elenco: Jéssica Alba, Josh Brolin, Joseph Gordon-Levitt, Mickey Rourke, Eva Green, Dennis Haybert, Powers Boothe, Rosario Dawson, Jamie Chung, Bruce Willis, Christopher Meloni, Juno Temple, Ray Liotta, Jaime King, Christopher Lloyd e Lady Gaga.
EUA, 2014.


Nove anos depois de Sin City: A Cidade do Pecado, quando uma continuação parecia pouco provável, eis que estamos de volta às ruas e becos de Basin City. Mais uma vez, Robert Rodriguez se une a Frank Miller na direção da adaptação da série de grafhic novels do último, que também roteiriza o filme. A Dama Fatal repete a estrutura do longa anterior, sendo dividido em três histórias, dispostas em uma narrativa não-linear, com algumas se passando até antes dos eventos de A Cidade do Pecado

Na primeira história, Joseph Gordon-Levitt é Johnny, um charmoso jogador de pôquer, que decide desafiar o poderoso senador Roark (Powers Boothe); em outra história, nosso já conhecido Dwight (Josh Brolin, substituindo Clive Owen) se envolve com Ava (Eva Green) a sexy e perigosa dama fatal do titulo (na verdade, uma das damas fatais do filme), mesmo sabendo que não se pode confiar nela; na  ultima história, Nancy (Jéssica Alba) sofre com a morte de Hartigan (Bruce Willis) e decide vingar sua morte. 



Na teia tecida por Miller, temos ainda outros personagens do filme anterior, como Marv (Mickey Rourke), Gail (Rosario Dawson), Goldie/Wendy (Jaime King), Manute (Dennis Haysbert substituindo o falecido Michael Clarke Duncan) e Miho (Jamie Chung no lugar de Devon Aoki). Vale destacar ainda as participações especiais, que nos fazem lamentar o fato de serem tão pequenas, caso de Juno Temple, como a prostituta Sally, Ray Liotta vivendo um politico adultero, Christopher Meloni como o surtado policial Mort e a Christopher Lloyd como o divertido Dr. Kroenig.

No elenco principal, Levitt e Broslin são novidade e se destacam. Com Broslin, Dwight perde um pouco do cinismo, algo que é meio que inato em Clive Owen, mas isso não é um problema, já que Broslin também é um ótimo ator. Eva Green é a encarnação da frieza, tendo a sua nudez explorada como uma forma de representar seu lado selvagem e amoral, algo que lembra um pouco A Marca da Pantera, embora aqui o animalesco seja apenas metafórico. Rosario Dawson e Mickey Rouke retornam a seus papeis, com a mesma competência e carisma de antes. Dennis Haysbert tem mais espaço na trama com seu Manute do que Clarke Duncan anteriormente. Enquanto, Jamie Chung, mesmo sem o exotismo e estranheza naturais em Devon Aoki, também se sai bem. Jéssica Alba tem a oportunidade de mostrar Nancy mais do que a donzela em perigo, entretanto, com suas limitações, mesmo se esforçando, ela não consegue ser convincente nas sequencias mais dramáticas.


Em linhas gerais, A Dama Fatal não é tão empolgante quanto seu antecessor, talvez por não ser mais uma novidade. Ou talvez porque as tramas em si não são tão tensas e surpreendentes. Na verdade, para um filme de Robert Rodriguez, ainda mais depois de assistir a Machete Kills, essa sequencia é bastante controlada, com menos loucuras que o primeiro e, de certa forma, é menos brutal (o que não quer dizer que não seja violento).

Sendo assim, o grande mérito do filme é visual, com suas cores únicas, fotografia excepcional e sequencias que parecem transpostas diretamente das HQs. Normalmente, não gosto da tecnologia 3D, aqui, ela é finalmente bem aplicada. Com certeza, assistir em 2D não tirará a beleza do filme, entretanto a terceira dimensão funciona bem e acrescenta profundidade, não é só objetos voando na direção da plateia, como usualmente acontece.


Antes de encerrar, tenho que comentar as diversas criticas que vi, acusando Rodriguez e Miller de misoginia e de hipersexualizar os corpos femininos. Discordo muito. Nos filmes de Rodriguez, todas as personagens femininas são lindas e sexys, onde a gente pode até apontar uma certa fetichização, mas também, como apontei na nudez da Eva Green, não dá para dizer que esse olhar não serve a narrativa, além disso, também o que é uma característica do cinema noir. Fora isso, as mulheres no cinema de Rodriguez não são apenas peças decorativas para prazer masculino, que é o que caracteriza a hipersexualização. Nem mesmo a dúbia Dama Fatal. Ela é o arquétipo da femme fatale, mas se mostra muito mais esperta e pragmática que todos os homens do filme. Me digam, agora, em todos os filmes todas as mulheres terão que ser boazinhas e recatadas?  Sem falar que, enquanto os personagens masculinos são imprudentes, violentos e manipuláveis, outras mulheres da trama, são símbolos de resistência moral, talvez o ultimo traço de humanidade em Sin City: temos Gail e seu unido grupo de prostitutas, uma personagem forte e de caráter e Nancy, que deixa a menina de lado para perseguir, obstinadamente, seu objetivo.

Sinceramente, sempre gostei muito dos personagens femininos nos filmes de Rodriguez, são sempre marcantes e  únicas. Guardadas as devidas proporções da época e genialidade, as damas de Rodriguez e Miller, de certa forma, me lembram as de Hitchcock. Não importa se são corretas ou ardilosas, doces ou rebeldes, o que importa é que são donas de personalidades notáveis e de seus próprios objetivo e desejos.



Espalhe:

Dri Tinoco

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