A Hora Mais Escura

Zero Dark Thirty
Direção: Kathryn Bigelow
Elenco: Jessica Chastain, Jason Clarke, Joel Edgerton, Jennifer Ehle, Mark Strong, Kyle Chandler, Édgar Ramírez, James Gandolfini, Chris Pratt, Callan Mulvey.
E.U.A., 2012



Assisti recentemente em DVD o filme A Hora Mais Escura, da cineasta Kathryn Bigelow (vencedora do Oscar por Guerra ao Terror), que conta a história da caçada do governo estadunidense ao terrorista internacional, líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden. O filme concorreu a cinco Oscars, mas levou apenas edição de som, empatado com 007 – Operação Skyfall, um caso raro no Oscar.

O filme relata os  anos de trabalho de uma agente da CIA, Maya (Jessica Chastain), que levam à execução sumária de Bin Laden, em 2 de maio de 2011. Bigelow produz e dirige a partir do roteiro de seu namorado, o jornalista e roteirista Mark Boal.

Não vou ficar falando muito sobre o desenrolar da história do filme porque, apesar de você já saber o final, a morte de Bin Laden, DÃÃÃ! Os melhores lances do filme se dão na caçada, ao longo da trama de 157 minutos, em um filme para quem gosta de espionagem e ação crua, sem massaveíce. Portanto, sem spoilers.  



Bigelow mostra a competência que já conheço desde a época de Caçadores de Emoção, dessa vez, fazendo uso de um tom documental durante as cenas da caçada e morte de Bin Laden, sequencia filmada em tempo real; inclusive, uma vergonha não ter sido indicada ao Óscar de direção. 

A Hora Mais Escura, que mostra várias cenas de tortura, como o waterboarding – afogamento simulado –  e outras violências e humilhações nos interrogatórios, na busca do paradeiro de Bin Laden, foi acusado por muita gente da esquerda política americana e pelo mundo de fazer propaganda da “doutrina Bush” a “Guerra ao Terror” do ex-presidente dos E.U.A. Já alguns jornalistas conservadores elogiaram o filme, também alegando que é pró-Bush e mostra que os fins justificam os meios, ou seja, o uso de torturas que aparecem no filme, foi necessário para encontrar Osama. 

Por outro lado, o governo americano negou que o que é mostrado ali corresponda aos fatos, senadores republicanos e também democratas abriram sindicância para investigar que documentos top secret saíram da CIA e chegaram a Kathryn e Boal, para que eles apresentassem essas informações "falsas". Oh! Quer dizer que os E.U.A. não torturam ninguém? E na base de Guantánamo acontece o quê?  Os senadores ainda enviaram uma carta à Sony, como protesto e repúdio as cenas de tortura.

Pombas! O governo diz que está errado, a esquerda diz que é pró-Bush. E aí?



O fato é que A Hora Mais Escura não é realmente um filme manifesto contra a CIA, Bush e etc., mas, nem por isso é um filme que defende as torturas ou invasões no Iraque. O longa mostra que  as informações conseguidas no Paquistão, por meio da tortura de suspeitos dos atentados de 11 de setembro, foram fundamentais para encontrarem a localização de Bin Laden, ou seja, conta o que aconteceu, embora o governo negue que tenha havido tortura. Mostra a CIA fazendo esses atos de violência e, se não fica nítido que os realizadores do filme são contra a tortura, também não dá para afirmar que são a favor.

Ouvi inclusive críticas que falam que os agentes realizam os atos sem questionarem, achando que estão certos, pois aquilo é para um bem maior. Ora, alguém acha que a CIA iria contratar agentes que questionam ordens exatamente para caçar o homem mais procurado? Não seria um filme realista, os agente se acham corretos sim, mas percebe-se que Maya está relutante no inicio e o filme mostra como ela vai embrutecendo; já o personagem de Jason Clarke, já calejado de tanto fazer aquilo, queria sair fora, ou seja, não gostava ou achava certo o que fazia, mas é como qualquer soldadinho enviado para a guerra, não iria questionar seus superiores.



Se o filme fosse mesmo uma simples propaganda pró-Bush, não mostraria as torturas e as tentativas do governo de escondê-las; chega a ter uma citação ao caso das armas de destruição em massa do Iraque, que não existiam. A Hora Mais Escura então mostraria cenas heroicas dos soldados americanos bonzões, enfrentando o Bin Laden armado até os dentes. Mas, não, o filme é duro e realista. 

Desde Guerra ao Terror, acusam Bigelow de apoiar a politica de Bush e seus amigos. Aqui no Brasil muitos fazem isso sem ver o filme, só pelo título, que na verdade é mais um título nacional cretino. The Hurt Locker, o filme acompanha o dia a dia do grupo de soldados que desarmam bombas no Iraque, mostra como o protagonista, vivido por Jeremy Renner, se vicia na adrenalina da guerra e não consegue mais ter uma vida normal com sua família, não é um filme para justificar ou amenizar a guerra.



Mas, voltando a Hora Mais Escura, destaque ainda para Jéssica Chastain, ela é o filme. Enfim, recomendo o filme para quem se interessa pelo tema e tem estomago para cenas de tortura, contra ou a favor do presidente Bucho, é indicado se você gosta de cinema bem realizado.



Espalhe:

Dré Tinoco

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