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Cultura Pop A Rigor na Colab55

Review - Spider-Man, o Tokusatsu

Ou Supaidāman


Acredito que tenha sido ainda em meados dos anos 90 que eu fiquei sabendo da existência de um seriado japonês estrelado pelo Homem-Aranha, herói mais popular da editora Marvel. Provavelmente tenha sido em alguma edição da extinta revista Herói ou similar. Depois veio a popularização da Internet e me lembro de ter lido mais sobre em sites de entretenimento. Começaram a aparecer mais informações. Mais cenas e imagens fora de contexto começaram a surgir e a versão nipônica do aracnídeo chamava a atenção mesmo fora do nicho tokusatsu (que foi como aprendemos a chamar os “seriados de heróis japoneses” ali entre 90 e 2000). 


A Marvel reconheceu como cânone e ele teve aparição até mesmo nas revistas americanas (será que um dia o homem-aranha turco também será reconhecido?). Mesmo assim quase ninguém tinha visto o seriado mesmo, nunca lançado oficialmente no Brasil. Isso mudou, claro, com a internet. Hoje podemos encontrar todas as aventuras do Aranha japonês com legendas em português fácil nas “locadoras” e streamings não-oficiais. Finalmente assisti a série completa e deixo aqui minhas impressões. 



Diferente do Aranha turco, o japonês é oficial. Nenhuma pilantragem. Tudo acordado certinho entre as empresas responsáveis. Em 1978, a Toei Company, juntamente com a Marvel, produziu sua versão de Homem-Aranha em live-action. Como era de se esperar, o aranha nipônico tem suas diferenças em relação ao original. Nada de aranha radioativa. Sua origem lembra mais a de Hal Jordan, o segundo Lanterna Verde. Aqui o aracnídeo ganha seus poderes graças a Garia, um ser do planeta Spider. Prestes a morrer, o alienígena transfere seus poderes para o jovem Takuya Yamashiro. Takuya se torna o herói e passa a lutar contra o exército Cruz de Ferro que agora, claro, quer dominar a Terra. 



Takuya Yamashiro não é fotógrafo como o original americano, mas tem uma namorada que é fotógrafa de uma revista. Ele também não tem um tio Ben, igual ao Aranha Holland, mas tem um pai que é morto pelos vilões no comecinho da série. Takuya não precisa andar com o uniforme embaixo das roupas civis como faz o pobre Peter Parker. Como todo herói japonês ele tem seu momento henshin. Com o bracelete que ganhou de Garia, ele se transforma no espetacular Homem-Aranha. Como na versão americana, ele também esconde sua nova identidade dos amigos e dos vilões. Apesar de ser auxiliado pela Interpol em alguns momentos e contar com a tecnologia do planeta Spider, ele também é pobre. Aparentemente não precisou que ninguém o ensinasse que grandes poderes trazem grandes responsabilidades (isso é meio que intrínseco a maioria dos heróis japoneses) 



 Os vilões? Infelizmente não temos versões japonesas do Duende Verde, Electro ou Doutor Octopus. o Exército da Cruz de Ferro é formado pelos mais típicos vilões desse tipo de produção da Toei. Temos um tal Professor Monster que não faz mais nada quase a série inteira além de mandar a lacaia Amazoness (Yukie Kagawa, que seria a Kilmaza de Jaspion anos mais tarde) e o monstro da semana (chamados de Monstros Mecânicos) para lutar com o herói. Esses monstros são os mais genéricos possíveis e não rola nem mesmo uma versão do Rino. Derrotados, os monstro da semana sempre apelam aumentando de tamanho.



É quando o Homem-Aranha chama a nave Marveller, que se transforma no robô Leopardon (?!) para encarar o monstro em lutinhas que você perde se piscar. Pilotar um robô gigante para enfrentar monstros que se tornam gigante foi a grande contribuição do aracnídeo japonês para o tokusatsu. Depois dele a Toei retomou a ideia das séries Sentai (Gorenger e JAKQ exibidas entre 1975 e 1977), tornando-as Super Sentai, em Battle Fever J, e os esquadrões de heróis coloridos passaram a ter seus gigantes guerreiros e nunca mais saíram do ar.




 Stan Lee curtiu o que viu. Ele elogiou diversas vezes a série, principalmente os movimentos do herói e as lutas. Bom lembrar que Stan não curtia o seriado americano, estrelado por Nicholas Hammond, que foi ao ar na TV americana no mesmo ano de 1978. Ele achava tudo muito paradão. Eu concordo. Assisti um episódio tempos atrás (com a participação da linda Madeleine Stowe!) e os movimentos dos dublês e cenas de ação desse seriado eram fraquíssimos. Stan foi um grande admirador de tokusatsu. O cara quase levou o seriado Super Sentai Sun Vulcan para os Estados Unidos uma década antes de Haim Saban transformar Zyuranger em Power Rangers! 




 E o que achei da série? Gostei tanto quanto Stan? Achei divertida. Não é uma das melhores já produzidas pela Toei, mas cumpre bem a proposta de transformar o personagem dos comics americanos em tokusatsu. É de certa forma fiel as suas características quando entendemos o Aranha como amigão da vizinhança (mais do que os filmes do Tom Holland), sempre ajudando pessoas comuns em perigo. A ação ainda não atinge o patamar que a Toei alcançaria nos anos 80, mas é superior a série americana. Falta mais carisma aos personagens, mas o elenco se sai bem com destaque para Kagawa como Amazoness e Shinji Tôdõ (a forma humana de Neroz em Metalder) como Takuya. São 41 episódios tranquilos de se acompanhar, mas não espere um desenvolvimento de series como Jaspion ou Jiraiya. Aqui o herói vai enfrentando uma ameaça diferente a cada episodio sem grandes reviravoltas até o confronto decisivo com os vilões que simplesmente vem sem cerimônias.




 Fico imaginando o sucesso que teria sido o lançamento dessa série por aqui nos anos 80, antes de Jaspion. Com a popularidade do Homem-Aranha e dos heróis japoneses, um grande sucesso seria certo para quem trouxesse isso para o Brasil na época. Comeram mosca.



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Autor: MARC TINOCO

Cinema, música, tokusatsu e assuntos aleatórios não necessariamente nessa ordem. 

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