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Cultura Pop A Rigor na Colab55

Review – Nomadland

Nomadland

Direção: Chloé Zhao
Elenco: Frances McDormand, Linda May, Patricia Grier, Gay DeForest, Angela Reyes, David Strathairn.
EUA, 2020.


Nomadland, que tem feito excelente passagem pelas diversas premiações do cinema e provavelmente será o vencedor do Óscar de Melhor Filme nesse domingo, é um filme ficcional com uma linguagem de documentário. Nele, a sempre incrível, Frances McDormand dá vida a Fern, mulher recém-viúva, que perde seu emprego e decide vender seus pertences e comprar uma van para viajar pelos Estados Unidos. No caminho, pega serviços temporários para comprar comida, combustível, enfim, o que precisa para a subsistência.


Na estrada encontra também pessoas com histórias parecidas com a sua. Conhecemos, assim, uma comunidade de viajantes, ou seja, nomads, pessoas que, como Fern, viajam pelos EUA levando suas moradas, sem se fixar em algum lugar. A diretora Chloé Zhao com uma câmera intimista e contemplativa, ajudada por uma trilha sonora suave e tocante de Ludovico Einaudia, constrói uma imagem da vida e dos EUA pela visão desses nômades modernos, riquíssima de significados.

Aliás, a trilha sonora não pôde ser indicada ao Oscar, pois não foi criada para o filme. Zhao usou faixas de álbuns anteriores do compositor italiano, principalmente de uma coleção de sete álbuns de 2019 chamada “Seven Days Walking”, baseadas nas andanças que Einaudia fez nos Alpes italianos.


A maioria dos personagens que aparecem no filme são nômades da vida real e não atrizes e atores profissionais. Isso reforça ainda mais as características de documentário que o filme possui. Não é meu preferido dos indicados a melhor filme, mas sua vitória vai está longe de me deixar com raiva como “Green Book”, para citar um mais recente. Em um ano de pandemia com poucos grandes filmes nas categorias, é inegável que “Nomadland” tem qualidades técnicas que justificam sua indicação.

Uma característica do filme é que a jornada de Fern, as paisagens que observa, as pessoas que passam pelo seu caminho, as diferentes histórias que contam e a própria história familiar de Fern induzem a diferentes sentidos que o público pode interpretar da obra. Desde a ser um road movie a uma crítica ao sistema capitalista, ou apenas um tipo de registro da comunidade nomad seria o objetivo final.


No meu caso, chama a atenção como, de uma certa maneira, o filme é o retrato dos EUA pós crise econômica de 2008, que chega a ser citada no filme. É constatado que aumentou o número de estadunidenses da classe trabalhadora que moram em seus veículos de transportes após a crise que começou no sistema imobiliário do país, além é claro do modo como mostra o trabalho precarizado em empresas como a Amazon e as zonas industriais colapsadas pelo país. Essa sem dúvida é uma linha da narrativa do filme, mas não é a única.


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Autor: DRÉ TINOCO

Professor de Geografia, cinéfilo nas horas vagas 

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