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Cultura Pop A Rigor na Colab55

Review – Bela Vingança

Bela Vingança

Promising Young Woman
Direção: Emerald Fennell
Elenco: Carey Mulligan, Bo Burnham, Alison Brie, Chris Lowell, Christopher Mintz-Plasse, Adam Brody, Alfred Molina, Laverne Cox, Clancy Brown e Molly Shannon
EUA, 2020



Vou avisando que esse texto tem spoilers. Estreia na direção da produtora e roteirista da série Killing Eve, Emerald Fennel, Bela Vingança acompanha Cassie (Carey Mulligan), jovem estudante de medicina, uma das melhores de sua turma, que largou tudo e agora vive uma vida dupla: durante o dia trabalha em uma cafeteria, à noite, sai à caça de abusadores.

Bela Vingança tem premissa semelhante a filmes como Sedução e Vingança (Ms .45, 1981), de Abel Ferrara, e Impacto Fulminante (Sudden Impact, 1983), de Clint Eastwood, em que uma mulher ferida por uma sociedade machista, decide fazer justiça com as próprias mãos. Como tática de caçada e também uma forma de testar o caráter da possível vítima, Cassie costuma se fingir de bêbada. No entanto, a moça não mata ninguém, apenas confronta o homem, expondo seu comportamento predatório.


Aos poucos, o filme vai contando a história de Cassie e ficamos sabendo que, na faculdade, sua melhor amiga foi violentada por colegas de graduação. Como ocorre em muitos casos, a vítima foi desacreditada e humilhada, o caso abafado. Assim, Cassie vai atrás de todos que ajudaram a destruir a vida de sua amiga, dos estupradores a reitora da faculdade, passando pelo advogado de defesa. A protagonista é movida pela vingança, mas também por uma certa culpa, por não ter conseguido ajudar a amiga. É como se ela não pudesse seguir com sua vida, já que negaram à outra a chance de ter um futuro.

Diferentemente dos dois filmes que citei, Bela Vingança aposta no humor cínico e no tom caricatural para realizar suas críticas. E é aí que está o maior problema do filme. Não por conta do humor em si, afinal muitas comédias também fazem críticas ácidas. O problema é o modo como esse humor é colocado.

Vivemos em uma sociedade

Primeiramente, muito desse humor vem das “tiradas” sarcásticas da protagonista, que narra a história. Em texto bem pouco inspirado, Cassie despeja uma série de clichês que poderiam ser ditos por algum administrador da página Quebrando o Tabu. Tudo isso prejudica-a como personagem. É mais ou menos o mesmo que ocorre com a Arlequina em Aves de Rapina. Por mais que você acompanhe seus dramas, no caso de Cassie, suas dúvidas quanto a dar prosseguimento com a vingança ou recomeçar sua vida, suas falas a tornam menos humana e mais uma metralhadora de frases de efeito. As críticas aos comportamentos masculinos e o modo paternalista como homens ricos são tratados (“são garotos”, “um cara legal”) são muito válidas, entretanto o modo forçado como elas acontecem não favorece a narrativa.

Outro problema é a dificuldade do filme acertar o tom. Por um lado, Doce Vingança cria situações caricaturais. Por exemplo, alguém imagina que na vida real uma mulher sairia por aí dando lição de moral em caras que ela pega em bares e boates e nenhum a agrediria? Porém, por outro lado, tenta ser mais realista, quando frisa que a justiça é machista e não ajuda mulheres que sofreram violência, muito pelo contrário. Ao chegar ao final, ganha tons heroicos, em que a protagonista morta derrota o vilão com seus planos e esperteza. Mas, dentro do próprio contexto do filme, você termina pensando: derrotou mesmo ou esse riquinho vai contratar os melhores advogados e “provar” que agiu em legítima defesa? Contudo, o tom do desfecho é o mais básico “girl power”, que entopem campanhas publicitárias.

De certa forma, o filme sintetiza para mim o feminismo liberal: uma mulher movida por culpa, cheia de frases feitas, mas que toma ações pouco efetivas, que, no fim das contas, não ajudam nenhuma mulher: nem ela mesma (morta pelo homem do qual buscava vingança), nem a amiga (justiça não foi feita, não há nenhuma reparação da reputação da vítima ou garantia de que o culpado será punido), nem outras ao seu redor (os agressores seguem livres).


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Autora: DRI TINOCO

Apaixonada por música, cinema e gatinhos. 

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