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Cultura Pop A Rigor na Colab55

Review: Pelo Amor e Pela Morte

Pelo Amor e Pela Morte

Dellamorte Dellamore
Direção: Michele Soavi
Elenco: Rupert Everett, François Hadji-Lazaro, Anna Falchi, Mickey Knox, Fabiana Formica, Stefano Masciarelli
Itália/Alemanha/França, 1994


Pupilo do grande Dario Argento, o diretor Michele Soavi trabalhou na segunda unidade do clássico Tenebre (1982) e teve seu primeiro crédito na direção exatamente com um documentário sobre o mestre, o Dario Argento’s World of Horror, lançado em 1985. Nesse mesmo ano, Soavi foi ainda diretor de segunda unidade de outro clássico, o splatter Demons, dirigido por Lamberto Bava e produzido por Argento.

Sua estreia como diretor de longa-metragem se deu em 1987, com Aquarius (O Pássaro Sangrento no Brasil). Um ano depois ele entregava o filmaço A Catedral, produzido por Dario e com a filha deste, Asia, no elenco. Por causa dos demônios semelhantes e um toque de oportunismo, o filme foi batizado de Demons 3 nos Estados Unidos mesmo não tendo nada a ver com a trama do filme de Lamberto e sua continuação (sinceramente, prefiro o filme do Soavi aos dois do Bavinha). Em 1994, Soavi lança seu grande clássico, o filme de zumbis (será?) Dellamorte Dellamore (Pelo Amor e Pela Morte no Brasil e -urgh- The Cemetery Man nos EUA), sobre o qual escrevo aqui.


O Cemetery Man do titulo americano é Francesco Dellamorte, interpretado por um improvável Rupert Everett. Francesco trabalha como zelador em um cemitério localizado em uma pequena cidade italiana, onde os mortos costumam retornar a vida como zumbis depois de sete dias. Se você está esperando uma convencional história de zumbis, se surpreenderá com um filme com tons de surrealismo onde os zumbis na realidade são os vivos. Verdade que não é de hoje que as criaturas desmortas são metáforas para a vida em sociedade, mas Soavi retrata com uma beleza impar toda a questão, sem, claro, esquecer o gore. Um espetáculo visual que une o belo e o grotesco com uma excelência poucas vezes vista.

Matar de uma vez por todas “aqueles que retornam”, seja com balaços ou aplicando golpes com picaretas na cabeça, virou parte da rotina de trabalho do coveiro e seu assistente, Gnaghi. Apesar de se perguntar em certo momento qual seria a causa do fenômeno e se este estaria também acontecendo em outros cemitérios, Francesco segue cumprindo de forma apática suas funções, aparentemente sem importar-se muito com toda a bizarrice da situação. Em verdade, pode-se dizer o mesmo do restante dos habitantes da cidade, que seguem suas vidinhas sem se impressionar com os fatos estranhos ocorridos. É um novo normal.


A vidinha monótona de Dellamorte parece ganhar algum brilho apenas quando ele se apaixona a primeira vista pela linda viúva (Anna Falchi, que continua belíssima no Instagram) de um velho homem que fora enterrado recentemente no cemitério. O relacionamento dos dois termina de forma trágica e Dellamorte agora está fadado a buscá-la em outras mulheres. Com um forte clima gótico e ângulos de câmera inusitados, Dellamorte Dellamore é um filme que reflete sobre a existência, a eterna prisão de uma vida rotineira. Haverá fuga?

Para criar seu protagonista, Soavi inspirou-se no popular fumetti (os quadrinhos italianos) Dylan Dog, criado por Tiziano Sclavi. Isso explica a escalação de Rupert Everett para o papel do coveiro, pois o ator foi a inspiração para o visual de Dylan Dog nos quadrinhos. O filme ainda se baseia em um livro escrito em 1991, pelo próprio Tiziano Sclavi. Em comum com Dylan Dog, Francesco Dellamorte ainda tem um sidekick que lembra um comediante das antigas. Gnaghi é um sósia perfeito de Curly dos Três Patetas (nos quadrinhos, Groucho Marx é o assistente de Dylan Dog).


Com um visual deslumbrante e um final genialmente pessimista, Dellamorte Dellamore talvez seja o ultimo grande exemplar da fase clássica do cinema de horror italiano e com certeza é um dos grandes filmes de zumbi de todos os tempos. Lançado no Brasil diretamente em VHS e alguns anos atrás em DVD pela Versátil, merece ser mais conhecido pela geração Netflix, mesmo perigando começar uma enxurrada de vídeos explicando o final no You Tube.

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Autor: MARC TINOCO

Cinema, música, tokusatsu e assuntos aleatórios não necessariamente nessa ordem. 

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