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Cultura Pop A Rigor na Colab55

Review – Dor e Glória

Dor e Glória

Dolor y gloria
Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Antonio Banderas, Penelope Cruz, Asier Etxeandia, Leonardo Sbaraglia, Julieta Serrano e Cecilia Roth
Espanha, 2019


Quando recebeu o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes do ano passado, Antonio Banderas afirmou que “o nome do meu personagem é Salvador Mallo, mas todo mundo sabe que, na verdade, ele é Pedro Almodóvar”. De fato, mesmo não sendo uma versão literal da vida do diretor espanhol, muito dele ecoa no protagonista de Dor e Glória. Segundo Almodóvar, que chama a obra de autoficção, tudo que acontece com Salvador Mallo poderia ter feito parte de sua própria história.

Salvador Mallo (Antonio Banderas) é um respeitado diretor e roteirista com a carreira em declínio. Sofrendo de dores crônicas e em meio a uma crise emocional e criativa, decide se afastar do cinema, ficando por cerca de três anos sem se dedicar a projeto algum.


Quando um de seus primeiros trabalhos ganha uma restauração da cinemateca espanhola, Salvador é convidado a apresentar o filme em uma sessão especial, ao lado do protagonista do longa, Alberto Crespo (Asier Etxeandia), com quem já não fala a muitos anos e sempre teve um relacionamento conturbado. 

Revisitando esse período de sua carreira, Salvador também revisita seu passado. Transcorrendo em duas linhas temporais, acompanhamos o momento atual do cineasta, ao mesmo tempo que sua infância humilde, na cidade de Valência, nos anos 60, ao lado da mãe, Jacinta; a educação religiosa, o interesse pelo cinema; a primeira paixonite ainda na infância (por um jovem pintor a quem ensinava ler e escrever), pontuada por culpa católica; e um amor mal resolvido do passado, já em Madrid, nos anos 80. Essa estrutura narrativa vai criando correlações e contrapontos entre passado e presente.


A composição de Banderas como Salvador é irretocável. Estagnado criativamente, o diretor é um homem solitário e permanentemente exausto; fisicamente e emocionalmente exausto; exausto de interações sociais e de si mesmo. Tão exausto que assiste seu presente como um espectador um tanto desatento e parece incapaz de sentir qualquer prazer, tanto que até suas incursões pela heroína são mais uma forma de ficar absorto no passado do que de buscar alguma satisfação.

Por conta na natureza circunspecta do personagem, toda a performance de Banderas é bastante contida; na linguagem corporal, mantendo sempre uma postura muito rígida e movimentos vagarosos, devido às dores terríveis que Salvador sofre; e também  na expressão de emoções, como na cena em que o diretor reencontra um amor do passado (Leonardo Sbaraglia), e apenas o ato de engolir em seco é suficiente para transparecer toda a tristeza e frustração de Salvador, sem que nada precise ser dito.

Tem até palinha da Rosalia

Do elenco, é preciso destacar ainda a atuação Asier Etxeandía que, intenso e expansivo,  forma o contraste perfeito para a atuação de Banderas. Penélope Cruz e Julieta Serrano dividem o papel da mãe de Salvador, uma mulher de personalidade forte, que alterna severidade e doçura. 

Com delicadeza, um pouco do humor e o vermelho tão presente em sua obra,  Almodóvar cria sua crônica sobre envelhecimento, que, apesar de seus momentos de tristeza e melancolia, carrega uma mensagem  surpreendentemente otimista.



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Autora: DRI TINOCO

Apaixonada por música, cinema e gatinhos. 

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