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Cultura Pop A Rigor na Colab55

Review – Jackie

Jackie

Direção: Pablo Larraín
Elenco:  Natalie Portman, Peter Sarsgaard, Greta Gerwig, Billy Crudup, John Hurt, Richard E. Grant, Caspar Phillipson, John Carroll Lynch, Beth Grant.
E.U.A. 2016


Indicado ao Oscar nas categorias Melhor atriz, figurino e trilha sonora, Jackie, do chileno Pablo Larraín, de No, outro filme bastante político, reconta os dias após o assassinato até o sepultamento do presidente dos Estados Unidos John Fitzgerald Kennedy, em 1963, tudo pela perspectiva de sua esposa, Jacqueline Kennedy, vivida por Natalie Portman.

Jackie não é uma biografia tradicional, contando toda a vida do personagem título. O filme se concentra em construir um quadro emocional e psicológico da ex-primeira dama dos EUA, apontando o que ela viveu naquele momento tão difícil e marcante na sua vida. Desde o atentado, passando pelos momentos com a família, funcionários e políticos, enquanto tenta se fortalecer para organizar o velório e enterro de Kennedy.


O roteiro se desenvolve a partir da entrevista que Jackie concedeu ao jornalista Theodore White (Billy Crudup), da revista Life, dias após o funeral. Assim Natalie apresenta diferentes nuances de Jacqueline Kennedy, como esposa e primeira dama, hora parecendo perdida no que faz, hora forte e batendo de frente com Bobby Kennedy (Peter Sarsgaard) e outros. 

O flashback que apresenta Jackie, bem desconfortável, participando de um programa de TV onde ela falava da decoração que fez na Casa Branca, também contribui muito para demonstrar as diferentes posturas que uma pessoa na posição dela era obrigada a assumir. Ainda que o filme desnude a personalidade de Jackie, nunca saberemos exatamente quem ela é. Essa é a intenção. 

Outros momentos chaves são as conversas com o padre interpretado por John Hurt, num dos seus últimos papeis e as cenas com sua funcionária Nancy (a ótima Greta Gerwig, de Frances Ha); parece ter uma amizade entre as duas, ou seria só cordialidade entre funcionária e patroa? Nada fica nítido, tudo é passível de interpretações.

A forma como Jackie organiza o funeral do marido contribuiu muito para construir a imagem que o presidente Kennedy tem até hoje. Criou um símbolo, como ela mostra que era seu objetivo. Porque se for parar para estudar história dos Estados Unidos, ele não fez tanto assim, até porque não teve tempo. Ele deixou bases que depois tiveram continuidade com Lyndon Johnson, como o avanço dos direitos civis no país e a política intervencionista apoiando golpes na América Latina no contexto da Guerra Fria.

Natalie Portman está em todas as cenas do filme, tudo é visto a partir da ótica de sua personagem. Algumas pessoas falaram da artificialidade de alguns momentos de Jackie, como no desenrolar da entrevista, porém a artificialidade faz parte do que o filme retrata, como o que Jackie mostra ao público é construído. Tanto que nos momentos mais íntimos, Natalie atua com muito mais naturalidade. Todos sabem que sou suspeito para falar de Natalie Portman, sou fã dela desde O Profissional, mas não deixo de reconhecer quando ela está no piloto automático, como nos filmes do Thor. Aqui ela faz realmente um ótimo trabalho, merecendo sua terceira indicação a Oscar. Ela utiliza propositalmente voz baixa e calma para compor Jackie, aumentando o tom só quando necessário, recria seu sotaque e usa também de linguagem corporal precisa. Na minha opinião ela só perderia a estatueta para Isabelle Huppert, mas, como as coisas não são como queremos, provavelmente nenhuma das duas vai ganhar.


As outras indicações também são merecidas, a trilha sonora da compositora  Mica Levi, que também fez um ótimo trabalho em Sob a Pele, colabora para passar a confusão de sentimentos e emoções que Jackie estava vivendo. É uma trilha sonora angustiante, que só fica tranquila nos momentos mais leves. É o que ocorre também com a fotografia, hora mais cinza, hora mais iluminada. Outra indicação é para Madeline Fontaine, pelo figurino, uma recriação perfeita.



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Autor: DRÉ TINOCO

Professor de Geografia, cinéfilo nas horas vagas 

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