Lista Negra

Trumbo
Direção: Jay Roach.
Elenco: Bryan Cranston, Diane Lane, Louis C.K., Elle Fanning, Michael Stuhlbarg, Helen Mirren, John Goodman, David James Elliott, John Getz, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Dean O’Gorman, Christian Berkel.
EUA, 2015


Trumbo, cinebiografia de um dos mais talentosos roteiristas que Hollywood já teve, dirigido por Jay Roach, mais conhecido por comédias como Entrando Numa Fria e Austin Powers, concorre a apena o Oscar de melhor ator. E é bom que tenha parado por aí.

Trumbo é uma cinebiografia bem tradicional e convencional, daquelas que mostram quase de forma burocrática os momentos da vida do protagonista. O filme te prende a atenção porque a história de Trumbo é realmente importante e há a boa interpretação de Bryan Cranston, nosso querido Heisenberg. O problema é a forma como a história foi contada, lembrando mais um telefilme, que, aliás Jay Roach já fez um bem melhor que foi Game Change – Virada no Jogo para a HBO.


Dalton Trumbo foi um grande roteirista de cinema e também romancista. Além disso, era atuante politicamente, sempre apoiou movimentos de trabalhadores e não escondia ser comunista. Ele já era um roteirista famoso em Hollywood até a Guerra Fria chegar ao auge nas décadas de 40 e 50, quando explode o Macartismo (McCarthyism), a prática de acusar alguém de subversão e traição sem se importar com evidências sérias, originada pelo senador Joseph McCarthy. Lógico que Trumbo foi um dos perseguidos da classe artística estadunidense.

Trumbo fez parte do Hollywood Ten (Os dez de Hollywood), profissionais da indústria cinematográfica que recusaram-se a testemunhar perante uma comissão parlamentar de inquérito em 1947 que investigava a presença de comunistas traidores da pátria no cinema. Trumbo escreveu clássicos como os ganhadores do Oscar de roteiro, A Princesa e o Plebeu e Arenas Sangrentas, além de Spartacus, entre outros. Conforme o filme retrata, ele esteve preso por anos e após sair escreveu vários desses filmes utilizando pseudônimos, somente muito tempo depois a Academia reconheceu seus prêmios.

Os pontos que enfraquecem Trumbo são exatamente encontrados na forma como a trama é conduzida, por exemplo, na unidimensionalidade dos personagens. Trumbo muitas vezes parece só ter qualidades, mesmo os conflitos com a família soam como nada demais. Do outro lado: os adversários, como a atriz e colunista social Hedda Hopper (Helen Mirren) e John Wayne (David James Elliott), que faziam parte da nefasta “Aliança Cinematográfica pela Preservação dos Ideais Americanos“, que Wayne chegou a presidir, são caricaturais e vilanizados, num maniqueísmo que não fica bem em filmes desse tipo; Como quando pressionam o ator Edward G. Robinson (Stuhlbarg), que entrega nomes de filiados do Partido Comunista ao Comitê Contra Atividades Anti-Americanas, o que nunca aconteceu. Além disso, as aparições de Otto Preminger (Christian Berkel) e Kirk Douglas (Dean O’Gorman) também simplistas, como acontece em muitas biografias cinematográficas.

Enfim, é um filme que vale pela importância histórica, mesmo Cranston estando bem não acho que ele possa tirar a estatueta de Dicaprio, e nem merece tirar. Em alguns momentos ainda me lembrou Walter White, nas cenas de revolta.

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Dré Tinoco

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