Shocking Dark/Terminator 2

Direção: Bruno Mattei
Elenco: Haven Tyler, Christopher Ahrens, Mark Steinborn, Dominica Coulson, Geretta Geretta.
Itália, 1989.

 


Você provavelmente já imaginou como seria se James Cameron tivesse pego seus dois maiores sucessos nos anos 80, os filmaços O Exterminador do Futuro e Aliens - O Resgate, e feito um único filme. NÃO? Poizé, a dupla italiana Bruno Mattei & Claudio Fragasso imaginou. E o resultado foi o sensacionalmente tosco Shocking Dark!

Shocking Dark foi o título para o lançamento no mercado internacional.  Sabe como é o medo de ser visitado pelo processinho. No país da bota foi lançado como Terminator 2 na maior cara de pau mesmo! Isso dois anos antes da continuação oficial do clássico com Arnoldão ser lançada.



Todo mundo sabe que a italianada sempre gostou de copiar filmes de sucesso. Quando moleque eu sempre me perguntava de onde vinham aquelas cópias de Mad Max e Conan que passavam nas tardes do SBT e descobri mais tarde que quase todos vinham da terra de Sophia Loren. Só que Mattei e Fragasso, dois conhecidos picaretas do cinema tosco, não ficavam satisfeitos em apenas copiar a ideia. Eles também “refilmavam” os sucessos do cinema americano. É o caso de Shocking Dark. Uma “refilmagem” de Aliens, com a adição de um cyborg assassino, para justificar o título italiano original, que eu assisti recentemente num momento de muita preguiça mental. Aviso que tem SPOILER porque é humanamente impossível escrever sobre essa bagaça sem SPOILERS!

Shocking Dark começa com um narrador informando que a cidade de Veneza foi tomada por uma nuvem tóxica poluidora e ficou inabitável. A megacorporação Tubular Corporation (a versão macarrônica da Weyland/Yutani de Alien), construiu um túnel subterrâneo que liga a cidade poluída com o resto da civilização, onde cientistas realizam experiências para despoluir Veneza. Vamos então para uma sala de comunicações típica de desenhos animados dos anos 70, na qual o pessoal da segurança (que vestem roupinhas ridículas e são chefiados pelo Bernadinho da seleção de vôlei) recebem um pedido de socorro dos cientistas responsáveis pelas experiências, que são mortos por estranhas criaturas e mais um colega que ficou doidão.



Para saber o que aconteceu e resgatar o material de pesquisa e ainda possíveis sobreviventes, é convocada a equipe de mercenários chamada Mega Force (risos). Os integrantes dessa equipe são cópias escarradas e cuspidas dos soldados de Aliens. Temos, por exemplo, o comandante Dalton Bond que é a versão spaghetti do comandante Hicks, e Koster, que é uma versão gritona da Vasquez. Com a Megaforce (risos) vão também a cientista Sarah Drumbull (Haven Tyler, que lembra, fisicamente, muito a Sigourney Weaver) e Samuel Fuller (?!), um representante da Tubular que a Megaforce (risos) não queria levar mas teve que engolir.

A Power Rangers Megaforce (não vou rir mais) fica então andando de lá para cá pelo tal túnel, que é sempre igual, até que começam a ser atacados por uns monstros ridículos, mas tão ridículos que Mattei procura sempre mostrá-los de forma bem rápida. Os bichos tem um bocão cheio de baba escorrendo (…) e aqueles olhos mortos típicos de monstros de Spectreman. Mattei filma de modo que pareça ter uma dúzia ou mais de criaturas, mas devem ter umas três ou menos na real (tanto que tem várias cenas das feras sendo alvejadas que são repetidas à exaustão). É a partir do primeiro confronto com a bicharada que Shocking Dark passa a reproduzir Aliens de forma extremamente sem-vergonha.

Temos uma garotinha sobrevivente que será adotada pela protagonista? Confere. Cena onde a equipe fica presa em uma sala, onde são atacados pelos monstros? Confere (com os bichos saindo de lugar nenhum, em vez de debaixo do piso, e a inteligente cientista tentando abrir desesperadamente a porta, apertando o tempo inteiro apenas um dos dois botões dispostos na parede). A heroína e a guria trancadas em uma sala junto com um monstro e o representante da empresa desligando a câmera de vigilância do local para ninguém ajudá-las? Confere. A garotinha escorregando bueiro abaixo e indo parar no ninho dos monstros com a heroína correndo em seu socorro? Confere.

Mas o filme toma…hã… rumos originais quando acontece uma grande reviravolta no roteiro de Fracasso Fragasso. Os sobreviventes da Mega Force encontram o laboratório e uma mensagem gravada que entrega de bandeja a Tubular Corporation como a grande vilã da trama. A corporação maligna criou um vírus que transforma humanos em monstros escrotos, deixando Veneza vazia para saquear seus tesouros. Risivelmente, ao fim da gravação, a mocinha do vídeo pede segredinho.

Nessa hora descobrimos que o fato do funcionário da Tubular não ter expressão facial não é apenas um caso de má atuação (coisa corriqueira nessa bagaça): Fuller é um cyborg infiltrado que tem a missão de pegar os arquivos confidenciais do laboratório. Depois dessa revelação Shocking Dark, enfim, vira O Exterminador do Futuro (ou Terminator 2), e Fuller começa a matar quem restou. Porque não fez isso antes deles verem a gravação burra, eu não sei.



E quando você pensa que a coisa vai acabar, o roteiro se complica ainda mais. Fragasso insere uma máquina do tempo na bagaça! A cientista e a guria encontram uma e fogem para a Veneza do passado, antes do plano maquiavélico da Tubular ser posto em prática. O problema é que o robô aparece lá também, revelando que haviam DUAS máquinas do tempo! Como sabia o local e data certinhos para onde as duas viajaram, ele não explica e nem também porque os putos da Tubular, com essa tecnologia a disposição, tiveram o trabalho de poluir Veneza em vez de saqueá-la séculos antes.

Finalmente chegamos aos momentos finais, com Fuller tendo metade do seu rosto robótico a mostra, devido a uma garrafada na cara, pisando sem dó no carrinho de brinquedo de um garotinho do passado e perseguindo as moças calmamente, tal qual como Jason Vorhees, enquanto elas correm desesperadas.

Shocking Dark foi a ultima parceria de Mattei e Fragasso (que usam pseudônimos nos créditos) e também foi uma das últimas produções com esse nível de picaretagem produzidas na Itália. Sabe como é, internet e globalização, a mão do processo chegar a tremer.

Vejam o trailer:


Espalhe:

Marc Tinoco

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