Robocop

Direção: José Padilha
Elenco:  Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Samuel L. Jackson e Abbie Cornish.
EUA, 2014

Ano: 2028, a intervenção americana no Irã acontece com o apoio da tecnologia robótica criada pela corporação OmniCorp. Nos EUA, representantes da empresa querem substituir a força policial por robôs, mas a opinião pública, liderada por um senador, não gosta da ideia. Para conseguir simpatia e reverter esse quadro, o pica das galáxias da companhia planeja colocar um humano com deficiências físicas em um corpo robótico. Ferido gravemente em um atentado contra sua vida, o policial Alex Murphy é o escolhido. Esse é o plot do RoboCop do Padilha.


Como esperado, há espaço no filme para discussões éticas sobre diversos assuntos como a privatização da segurança, o papel da imprensa, a corrupção policial ( Olha Tropa de Elite aê ) e etc. Nada muito profundo, mas, enfim, todo aquele “conteúdo social e politico” que se espera de um filme do Padilha. O primeiro ato do longa deixa claro que Robocop não é um filme sobre a criatura, mas sobre seus criadores.

 O começo é bastante arrastado. O longa sofre de um mal que acomete a indústria cinematográfica hoje em dia: acreditar que o desenvolvimento de personagens se fazem apenas por meio de diálogos expositivos. Eles precisam explicar a toda hora o que os personagens estão sentindo. Tudo precisa ser bem mastigadinho pro público entender. Há também o sentimentalismo exagerado: a mulher e o filho de Murphy estão sempre em cena para nos lembrar o quão triste é ser um robô e perder sua humanidade. A mesma tecla é batida várias vezes, me lembrando o seriado de TV do personagem. A única cena realmente com um peso dramático, e a melhor do filme, é a que mostra o que sobrou de humano do personagem. O encontro com o filho foi comprometido pelo fraco desempenho do ator-mirim.


Robocop entra em cena quase na metade do filme. A armadura prateada, que ele usa primeiro, é mais bonita. A preta pode ser mais tática como dizem, mas é qualquer nota. Apesar dele pular e quase dar soquinho no chão como o Homem de Ferro, podemos ouvir seus passos e o som das engrenagens quando anda, tipo o Jiban que pulava como um ninja em sua série, mas também fazia todos aqueles barulhos robóticos. Como a censura é PG-13, a principal arma do RoboCop é uma de choque. A moto até que é bonita.  A Detroit do futuro de Padilha se recuperou bem da crise por que passa atualmente na real, quase um shopping…

Joel Kinnaman tem uma interpretação bem fraca como Alex Murphy, mas melhora quando vira robô. Abbie Cornish chora o tempo todo. O destaque do elenco é mesmo o trio de veteranos. Gary Oldman é o real protagonista do filme e defende bem o personagem, enquanto Michael Keaton consegue não ser detestável mesmo quando seu personagem vira vilão típico. Samuel L. Jackson está impagável como o apresentador de TV Pat Novak e é em suas cenas que a sátira social aparece, pois de resto o filme quer ser muito levado a sério. Há poucos alívios cômicos, o que é bom já que a piadinha feita pelo parceiro de Murphy a respeito da armadura preta é a única que funciona.


Muito se reclamou da falta de violência desse remake… a verdade é que ela não faria falta se as cenas de ação fossem boas… e não são. As sequências de ação são burocráticas e pouco imaginativas. Tanto o tiroteio do qual Murphy e seu parceiro participam no inicio, quanto as cenas com Robocop, são genéricas, sem emoção. A cena em que Robo invade o esconderijo do chefão do crime (outro personagem fraco) tem até uma boa sacada com o apagar das luzes  para não mostrar sangue, mas o ritmo com que é levada não empolga. O combate final com os ED-209 parece um mero videogame e tem menos tensão que o stop-motion de RoboCop 2.

A trilha sonora do brasileiro Pedro Bromfman é fraca demais. Nem quando toca a trilha do filme original melhora. Pelo menos toca  I fought the law quando sobe os créditos finais. Musicalmente, os EUA fizeram muito bem a Padilha: O cara foi de Tijuana para The Clash.


Enfim, Robocop não é um filme ruim. Longe disso, mas não me causou ódio (como em algumas criticas que pipocaram por aí) e tampouco maravilhamento (para alguns é uma obra-prima), somente indiferença. Valeu por ressuscitar um personagem clássico que estava no esgoto, mas espero que uma sequência, se acontecer, seja mais inspirada.


Espalhe:

Marc Tinoco

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