12 Anos de Escravidão

12 Years a Slave
Direção: Steve McQueen
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Lupita Nyong’o, Sarah Paulson, Benedict Cumberbatch, Paul Dano, Paul Giamatti, Adepero Oduye e Brad Pitt
EUA, 2013



Conferimos mais um dos concorrentes ao Oscar 2014, um dos filmes mais comentados do momento, indicado a 9 estatuetas, vencedor de diversos prêmios, incluindo o Globo de Ouro de melhor filme de drama e os  British Academy Film Awards (Bafta) de melhor filme e melhor ator, entregues no último domingo. 

Produzido de forma independente por Brad Pitt e distribuído pela 20th Century Fox, o filme é dirigido por Steve McQueen, de Shame e conta a história real de Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), violinista morador do norte dos E.U.A.  que é sequestrado em 1841 e vendido como escravo para trabalhar em fazendas de Nova Orleans na Louisiana, no sul escravocrata. O filme é baseado no livro que Northup escreveu após ser liberto em 1853 e ter se tornado um ativista na luta pelo fim da escravidão.


12 Anos de Escravidão tem chamado tanta atenção porque não é comum que filmes sobre a escravidão fossem tão a fundo, sem concessões. Já houve quem pergunta-se  se seria ético realizar um filme sobre escravidão que trouxesse todo aquele sofrimento  à tona. Não só é ético como é necessário, pois assim ajuda a não apagar essa história que é origem dos processos de segregação racial que existem hoje e principalmente as novas gerações ignoram.

12 Anos de Escravidão, além de ser um retrato duro do período, tem o mérito de ser protagonizado, pelos negros. Muitos filmes já trouxeram o tema, mas com brancos no centro da história. Assim, o filme aborda a escravidão por completo, os açoites, as humilhações, os estupros, as revoltas e a luta por sobrevivência. Não há maquiagem aqui, a escravidão é cruel e o racismo apresenta diferentes faces.


Solomon passa, por exemplo, por uma plantação de cana de açúcar, onde o escravocrata interpretado por Benedict Cumberbatch, de Star Trek – Além da Escuridão, não é um sádico que torture os escravizados, mas também não é  retratado como bonzinho. Os negros para ele são mercadorias assim como para os demais senhores, ele apenas se surpreende com os conhecimentos de Solomon e sua habilidade no violino, já que os escravizados não tinham acesso à educação. Para completar, Solomon também que lidar com o capataz invejoso interpretado por Paul Dano,  de Sangue Negro.


Após esse período ele vai para a fazenda de algodão do escravocrata Epps, interpretado por Michael Fassbender, esse sim um sádico, um fanático religioso que usa a Bíblia como justificativa para seus atos e o regime escravocrata, ao mesmo tempo usa de violência constantemente contra os escravizados, estupra uma delas, Patts (Lupita Nyong’o) e vive em conflito com a esposa (Sarah Paulson), não menos cruel que ele.


O diretor Steve McQueen fez um filme forte, como deve ser um filme sobre o tema, mostrando com cenas e diálogos, como a escravidão é responsabilidade de toda a sociedade e como ela foi uma violência, não só por conta de senhores sádicos, mas também de todos que se calaram. 

 O filme tem sido bastante elogiado por público e crítica, mas tenho visto alguns comentários na internet falando coisas como “Oscar por quê? São duas horas só de surra e estupro“, “o realismo no cinema é uma tendência já há um tempo, qual a novidade?”. Ora, o filme não está sendo muito elogiado e concorrendo a prêmios por ser realista, mas sim por ser um retrato muito bem executado da escravidão, único no cinema. Outra coisa, o filme não é somente duas horas de surras e estupros, pois em nenhum momento glamouriza ou fetichiza esses momentos. No entanto, eles existiram e por isso não devem ser ocultos ou esquecidos. 



É um filme importante, pois como disse, a segregação racial e os impactos desses processos estão aí, só não ver quem não quer. Se liga só, McQueen é apenas o terceiro cineasta negro indicado ao Oscar, antes dele foram John Singleton, por “Os donos da rua" e Lee Daniels por “Preciosa – Uma história de esperança", isso em 86 anos de Oscar, e nenhum nunca um ganhou.

Espalhe:

Dri Tinoco

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